09/11/2018 - Fernanda Graziani     Twitter  Facebook  Google+  LinkedIn

Por diversas vezes questionei-me sobre o que faltava para que eu pudesse ter assumido uma posição de Diretoria depois de tantos anos atuando como líder no mercado segurador. Atuo há mais de 12 anos no mercado nos cargos de gerente ou superintendente, mas nunca consegui uma posição acima.

Depois de muito estudar, ler e conversar com colegas, descobri que o problema não estava sob o meu controle, ou seja, isso ocorria não por ausências de qualificações minhas, e sim devido a um outro problema. O fato de a atuação da mulher nesse ramo ser recente influencia muito nas contratações, além do muito se falar, mas pouco se fazer efetivamente sobre o tema diversidade nas Companhias.

É sabido que a introdução da mulher no mercado de trabalho deu-se na Primeira e Segunda Guerra Mundial, por conta da ausência do homem no mercado e a necessidade dessas terem que assumir os negócios da família. Tal responsabilidade foi acrescentada aos trabalhos do lar: casa, filhos e educação.

No Brasil, mesmo com a Constituição de 1988, que instituiu direitos iguais a todos perante a lei, independentemente do sexo, a luta das mulheres para conquistar o seu espaço ainda segue nos dias de hoje.

Com relação a educação, as mulheres também começaram tardiamente a buscar sua formação, mas mesmo assim já superamos os homens no quesito educacional. Segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE (2016), 18,8% das mulheres economicamente ativas já completaram ao menos um curso superior. Entre os homens, este número cai para 11%. Os dados referem-se ao período de 1995 a 2015. Ainda de acordo com a instituição, as mulheres trabalham em média 7,5 horas a mais que os homens por semana.

Outro fator que alavancou a entrada da mulher no mercado de trabalho foi o número de divórcios. Segundo outra pesquisa efetuada pelo IBGE (2016), no período de 1984 a 2016 o número do percentual de divórcios no Brasil saltou de 10% para 32%. Ou seja, a mulher passa a assumir as rédeas do lar e a buscar sua independência financeira.

Um outro ponto que deve ser destacado é a "terceira jornada" das mulheres. A mulher é responsável pela administração do lar, cuidados com as crianças e também com idosos, isto é, pais e sogros que precisam de algum auxílio e acabam ficando, na grande maioria dos casos, sob responsabilidade da mulher.

 

Fonte: Freepik.com

 Recentemente, li um livro muito interessante chamado Deixe a Peteca Cair, de Tiffany Dufu. Nele, a autora relata sua carreira e como reverteu as barreiras encontradas na "terceira jornada" para poder focar suas energias naquilo que realmente era necessário. Uma dessas barreiras era dividir as tarefas com o parceiro e com o que ela chama de comunidade, separada em quatro grupos: membros da família, vizinhos, mães trabalhadoras não remuneradas (ela até cita uma frase de Madeleine Albright, que diz: "existe um lugar especial no inferno para mulheres que não ajudam outras mulheres", e, por último, o das babás – os únicos membros remunerados.

Isso evidencia que estamos aprendendo a dividir as tarefas e a entender que não é um fracasso pedir apoio, seja para qualquer um desses grupos. Não precisamos fazer isso sozinhas!

Comparativamente aos homens, nós iniciamos a nossa carreira profissional há poucos anos, assim como fomos atrás da nossa educação tardiamente. Apesar dessa “defasagem temporal”, esses são índices já superados nos dias de hoje. Se já nos mostramos capazes de superar desafios dessa magnitude, o que nos falta para assumir cargos executivos ou posições em Conselhos e/ou Comitês (de Administração, de Auditoria, entre outros)?

Falando sobre o mercado no qual atuo, que é o segurador, os números relatam que ainda estamos distantes de conseguir uma igualdade em cadeiras de tomada de decisão. Na Pesquisa feita pela Escola Nacional de Seguros (2016), com dados atualizado até 2015, é possível verificar no percentual de distribuição dos funcionários por cargos em cada sexo que: os homens representam 4,7% em cargos executivos, enquanto as mulheres representam 1,4%. Isso mostra que a probabilidade de um homem se tornar um executivo é 3,5 vezes maior do que uma mulher.

Para mim, isso é um contrassenso, pois o que entregamos são serviços e, hoje, o poder de compra também está concentrado nas mulheres, pois essas são responsáveis pelas decisões de compra em 61% dos lares, de acordo com a pesquisa realizada pela agência J. Walter Thompson.

O que quero dizer com isso é que conhecemos nosso público e podemos agregar valor aos serviços ofertados, conciliando outros aspectos que temos a nosso favor, tais como habilidades emocionais, de capacitação, organização e planejamento.

Na pesquisa Is Gender Diversity Profitable? (2016), foram avaliados diversos índices econômicos comparando as empresas que têm mulheres em posições executivas com as que possuem um número inferior. A partir dos dados, é demonstrado que Companhias que aumentaram 30% da representatividade de mulheres na Direção obtiveram um aumento de 15% em sua margem, além de agregar outros ganhos, como melhor governança corporativa e mais comportamento ético. As mulheres também são consideradas mais democráticas e participativas, bem como mais propensas a mostrar liderança transformacional e a dar recompensas, como elogios e agradecimentos. Além disso, são menos hierárquicas, mais cooperativas e colaborativas, e dispostas a aumentar a autoestima dos outros.

Levando em consideração que no mercado segurador já somos maiores em números, porque não conseguimos chegar na camada executiva? Acerca disso, a McKinsey me ajudou a responder essa questão em seu artigo Women in the Workplace 2018 (out./2018), que fala sobre as Companhias transformarem boas intenções em realidades, em ações concretas.

Nesse mesmo artigo, são citadas seis ações que precisam ser feitas para que a Diversidade de Gênero tenha progresso nas empresas. Sem isso, não haverá mudança nos números:

  • Obter o direito básico – metas, relatórios e prestação de contas;
  • Garantir que a contratação e as promoções sejam justas;
  • Fazer líderes seniores e gerentes campeões da diversidade;
  • Promover uma cultura inclusiva e respeitosa;
  • Tornar a experiência única;
  • Oferecer aos funcionários a flexibilidade de encaixar o trabalho em suas vidas.

Nós, mulheres, estamos fazendo a nossa parte, pois já somos maioria no mercado segurador e temos as formações necessárias. Somos as principais consumidoras e/ou responsáveis pela tomada de decisões e detentoras de habilidades que alavancam o resultado das Companhias. Agora, precisamos realmente de atos concretos por parte delas.

Em outro artigo, intitulado Women Matter: Ten years of insights on gender diversity, a McKinsey convida todos a ousarem imaginar como seria uma empresa verdadeiramente inclusiva no futuro, citando dez atributos de uma organização inclusiva:

  • Não ortodoxo: políticas, regras, normas e práticas são constantemente desafiadas a levar em consideração as necessidades de todos, não apenas de um grupo dominante;
  • Polimórfico: diversos estilos de liderança são usados, reconhecendo que a efetividade vem em muitas formas;
  • Potencializado: em vez de “comando e controle”, todos são capacitados e têm a capacidade de moldar o futuro;
  • Multifacetado: a organização espelha a sociedade em que vivemos, isto é, multicultural, refletindo uma ampla gama de religiões, culturas e etnias;
  • Meritocrático e justo: os processos são justos e todos são tratados igualmente, em ambientes livres de preconceitos;
  • Ambiente seguro: o ambiente deve ser livre de medo, não hierárquico e não violento;
  • Respeitoso: as mulheres são consideradas pares e todos têm a mesma voz e podem ser ouvidos por todos;
  • Equilibrado: a organização permite o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, incluindo a compreensão de que o desempenho não está vinculado à presença física e ao comprometimento de tempo, mas sim à qualidade e eficiência na entrega;
  • Global e ágil: há conectividade total, em escala global, e flexibilidade – aproveitando a tecnologia;
  • Inventivo: um CEO com visão de futuro é cercado por millennials arrojados e criativos.

               Agora, as Companhias devem parar de deixar tudo no plano do pensamento e partir para a ação. Somos capazes de fazer algo melhor e maior, unindo esforços com nossos parceiros na gestão, juntando as forças, agregando e gerando valor para Sociedade.

               Nesse contexto, a Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros (FENACOR) completa 50 anos.

Vamos juntos mudar o cenário do mercado Segurador para os próximos 50 anos?

Nós estamos prontas, e vocês?


Fernanda Graziani - Profissional com 20 anos de experiência, atuando na liderança estratégica das áreas de Finanças, Controladoria e Administração. Destaque para a capacidade de influenciar equipes de alta gestão e para a visão estratégica do negócio. Vivência em empresas nacionais e multinacionais.





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