07/12/2018 - G1     Twitter  Facebook  Google+  LinkedIn

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, teve variação negativa de 0,21% em novembro, em meio ao alívio nos preços de combustíveis e energia elétrica, segundo divulgou nesta sexta-feira (7) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com isso, o país registrou deflação - a inflação negativa - no mês de novembro. Este resultado foi o menor desde junho de 2017, quando o IPCA ficou em -0,23%. Para um mês de novembro, foi a menor taxa desde a implantação do Plano Real, em 1994. Trata-se também da segunda deflação registrada em 2018. Em agosto, o índice registrou variação negativa de 0,09%.

No acumulado em 12 meses, o índice desacelerou para 4,05%, voltando a ficar abaixo da meta do Banco Central, que é de 4,5% para o ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

No acumulado no ano até novembro, o IPCA está em 3,59%, acima dos 2,50% registrados em igual período de 2017.

Das 16 regiões pesquisadas pelo IBGE, somente a de Goiânia teve inflação em novembro, de 0,12%. Em Belém, a variação média dos preços foi zero. Nas demais 14 foi registrado deflação. São Paulo, com peso de 30,67% na composição do indicador nacional, registrou deflação de -0,30%. A variação negativa maos intensa foi observada em Brasília: -0,43%.

O alívio nos preços de combustíveis e energia elétrica foi a maior contribuição para o recuo dos preços em novembro.

O preço médio da energia elétrica caiu 4,04% em novembro, exercendo a maior contribuição negativa no IPCA de novembro (-0,16 p.p.), favorecida pela mudança da bandeira tarifária, que passou de vermelha para amarela desde 1º novembro.

Já os combustíveis registraram deflação de 2,42%, em meio à queda do preço nas refinarias e do recuo dos preços internacionais do barril de petróleo.

Os três principais combustíveis tiveram queda no mês – a gasolina recuou 3,07%, o etanol, 0,52%, e o diesel, 0,58%. Em todas as regiões pesquisadas houve queda nos preços da gasolina. A mais intensa foi em Brasília, de -5,35%, e a menos intensa foi registrada no Rio de Janeiro, de -1,06%.

No acumulado no ano, entretanto, a gasolina ainda acumula alta de 12,66%, o etanol, de 2,36%, e o diesel, de 10,42%. Em 12 meses, os três tiveram alta, respectivamente, de 15,20%, 6,84% e 11,63%

Segundo o gerente do levantamento, Fernando Gonçalves, a gasolina é o produto que exerceu a maior pressão no IPCA no acumulado em 12 meses, respondendo sozinha por 15,20% do índice. Na sequência, as maiores pressões de alta são: plano de saúde, energia elétrica, cursos regulares, refeição fora de casa, empregado doméstico e ônibus urbano.

Segundo o IBGE, 5 dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram deflação de outubro para novembro, com destaque para transportes e habitação.

Do lado das altas, o grupo de alimentação e bebidas, foi o que mais pesou, pressionado pelos preços de legumes e hortaliças. A cebola teve alta de 24,45% no mês. O tomate, de 22,25%; a batata inglesa, de 14,69%; e as hortaliças, de 4,43%.

“Está tendo muita chuva, o que prejudica as colheitas. Além disso, a demanda aumenta nessa época do ano”, apontou o gerente do levantamento.

Veja abaixo a variação dos 9 grandes grupos pesquisados:

Alimentação e Bebidas: 0,39%
Habitação: -0,71%
Artigos de Residência: 0,48%
Vestuário: -0,43%
Transportes: -0,74%
Saúde e Cuidados Pessoais: -0,71%
Despesas Pessoais: 0,36%
Educação: 0,04%
Comunicação: -0,07%

Meta de inflação e perspectivas
A previsão dos analistas para a inflação em 2018 caiu para 3,89%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

O percentual esperado pelo mercado está bem abaixo da meta de inflação que o Banco Central precisa perseguir neste ano, que é de 4,5% e dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema – a meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar entre 3% e 6%.

Na segunda-feira (3), o presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse que a inflação terminará este ano com um avanço menor que 4%. Em 2017, a inflação oficial do país ficou em 2,95%, fechando pela primeira vez abaixo do piso da meta fixada pelo governo, que era de 3%.

Para a composição do índice de dezembro, Gonçalves destacou que haverá influência do reajuste do botijão de gás, que subiu 8,52% nas refinarias, e do retorno à bandeira verde nas contas de energia elétrica, que não tem nenhuma cobrança adicional. Também devem influenciar alta nas tarifas de água e esgoto do Rio de Janeiro e Porto Alegre, da energia elétrica na capital gaúcha, e do gás encanado na capital fluminense.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 6,5% ao ano.

Para 2019, os economistas das instituições financeiras projetam um IPCA em 4,112%. A meta central do próximo ano é de 4,25%, e o intervalo de tolerância do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75%.

O IBGE também divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referência para reajustes salariais e aposentadorias, teve variação negativa de 0,25% em novembro.

O acumulado no ano ficou em 3,29%, acima do 1,80% registrado em igual período do ano passado. Em 12 meses, desacelerou para 3,56%, abaixo dos 4% dos 12 meses imediatamente anteriores.

Entenda o que é deflação
A deflação acontece quando os preços dos produtos e serviços que circulam na economia caem. Ela pode ser pontual ou acontecer por um período mais longo. Como um termômetro que mede a temperatura do corpo, a deflação pode sinalizar que algo não vai bem na economia e que é preciso fazer um diagnóstico.

O economista Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV, define um tempo mínimo de 1 ano para um processo deflacionário. A queda nos preços precisa ser generalizada, não num item só, define André Braz, coordenador do IPC do FGV IBRE. “Precisa de uma sequência. Um mês ou outro é apenas uma flutuação atípica”.








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