O que mudou, está mudando e vai mudar...

Nosso planeta levou milhões e milhões de anos para chegar à forma e condições dos nossos dias.

Entretanto, foi nos últimos 100 anos que se verificou uma aceleração exponencial do ritmo de evolução dos aspectos demográficos, ocupacionais, produtivos, tecnológicos e sociais.

No último século a população brasileira decuplicou passando de 17 milhões de habitantes para 170 milhões em 2000 1 . O processo de urbanização e industrialização se consolidou a partir de 1960, as mulheres conquistaram cada vez mais espaço no mercado de trabalho, a pílula anticoncepcional libertou-as do destino inexorável da maternidade obrigatória, a diminuição da taxa de fecundidade caiu de 6,2 filhos em 1960 para 1,9 em 2010, abaixo da taxa de reposição que é de 2,1 2. Trabalho, renda e estudo tem levado a mulher brasileira, sobretudo nas áreas urbanas, a postergar para depois dos 30 anos seu projeto da maternidade.

Estimada em 104,7 milhões em 2018, a força de trabalho no Brasil cresceu em 816 mil trabalhadores (ou 1,7%) em relação a 2017. A evolução da participação feminina no mercado de trabalho entre 2006 e 2016 foi de 40,6% para 44,0% do seu total, mantendo-se ainda um valor médio de salário correspondente a 70% do percebido pelos homens. Segundo o IBGE as mulheres estudam mais, ganham menos e passam mais tempo ocupadas com tarefas domésticas do que os homens.


Mercado Securitário

As mulheres representam 51,6% da população brasileira e sua participação no mercado de trabalho, mais especificamente, no setor de seguros cresceu de 49% para 59% entre 2000 e 2017. São a maioria.

A representatividade feminina no setor securitário é indiscutível, ainda que, os postos no ápice da pirâmide profissional continuem de difícil acesso para elas.

A 4ª revolução industrial é fato e a tecnologia no trabalho, no lazer e na vida doméstica veio para ficar.

Recentíssima pesquisa de janeiro de 2019 da Hootsuite TM dá conta de que a população brasileira atual é de 211.6 milhões, na proporção de 50.9% de mulheres e 49.1% de homens. O nível de alfabetização é 92% para ambos os sexos.

A utilização de internet por meio de vários acessos é intensa entre nós. No Brasil, segundo dados do IBGE 3 os domicílios que utilizavam internet em 2016 experimentaram um crescimento significativo de 69,3% para 74,9% em 2017. E são as mulheres as maiores usuárias da rede, tanto nas áreas urbanas como nas rurais 3.

Os dados impactantes da já acima citada pesquisa da HOOTSUITE, informam que o brasileiro passa em média 9:29 horas na internet. Tirando as 8 horas de sono e o tempo para a alimentação, há que se concluir que a maior parte do dia produtivo é on line. Trabalhamos conectados.

Se, à parte a jornada diária de trabalho, as mulheres ainda têm sob sua responsabilidade, total ou parcialmente, as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos, resta claro que são elas as que passam mais horas on line.

Os efeitos desse dia a dia transitando no mundo virtual, em todos os aspectos do cotidiano, ainda não foram totalmente avaliados. Mas, certamente, reforçam a tendência feminina para um desempenho multitarefas. A meu ver, invisivelmente, tem um papel protagônico na construção de habilidades para futuras tarefas e profissões ainda não totalmente desenhadas.


1 - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (2011). Sinopse do Censo Demográfico 2010 (PDF). Rio de Janeiro: IBGE. p. 67-68. ISBN 978-85-240-4187-7
2 -  Dados do Censo 2010 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE
3 - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Pnad C fevereiro de 2018


Gloria Faria

Gloria Faria

Formada em Direito e com especialização em Direito Previdenciário pela UERJ, mestrado latu senso em Direito Empresarial pela UCAM, IAG Master em seguros pela PUC Rio, membro do Conselho da AIDA Brasil período 2018/2020, presidente do GNT de Novas Tecnologias da AIDA Brasil, organizadora da Revista Jurídica de Seguros da CNseg, advogada, consultora jurídica da CNseg.