Por que devemos celebrar o "Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino"

O "Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino" (19 de novembro) teve uma celebração especial na mídia em 2020, com uma ênfase bem maior do que nos anos anteriores.

Essa data foi criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2014, com o objetivo de chamar a atenção para a mulher empreendedora e o impacto econômico que ela produz e, assim, também incentivar a entrada de novas mulheres no mundo dos negócios.

A mulher empreendedora gera empregos, renda e, consequentemente, contribui para o desenvolvimento sustentável da economia.

Na percepção da ONU, as mulheres tendem a investir mais a renda obtida em seus negócios na educação dos filhos, o que também colabora, numa visão de longo prazo, para o desenvolvimento da economia.

Mas, por que é tão importante destacarmos uma data específica para exaltarmos a iniciativa de a mulher empreender? Sabemos que um dos fatores primordiais para que a mulher alcance hoje sua independência e seu "lugar ao sol", é a autonomia financeira.

Esse fator torna-se de extrema importância se considerarmos que mulheres independentes financeiramente não necessitam manter relações tóxicas e até mesmo abusivas, por não ter como se sustentar ou mesmo, em alguns casos, sustentar também os filhos sozinha.

A autonomia financeira também possibilita à mulher estudar mais, viajar e viver diversas outras experiências que não são apenas relacionadas à realização profissional.

A mulher empreendedora é dona do próprio negócio e não depende de outras pessoas para seguir o seu caminho.

Muito se fala em discriminação contra a mulher no momento da contratação em empresas. É também sabido que as mulheres ganham menos que os homens em cargos com a mesma função. Há ainda diversos outros obstáculos enfrentados na trajetória profissional apenas pelo fato de ser mulher.

Através dos dados apresentados abaixo, podemos observar que ainda há um logo caminho a ser percorrido, pois, mesmo quando a mulher consegue ser dona do seu próprio negócio e ter o poder de contratação, promoção e remuneração em suas mãos, ainda assim a remuneração no panorama geral permanece inferior ao do homem.

Porém, a mulher empreendedora consegue, na medida do possível, "driblar" esse tipo de discriminação, uma vez que dentro da sua própria organização um novo contexto de políticas e práticas inclusivas podem ser estabelecidos.

Dados sobre empreendedorismo feminino no Brasil

De acordo com o Sebrae, há 9,3 milhões de empresárias atuando no Brasil, o que equivale a 34% do mercado geral do país.

Os dados mostram ainda que as empresas abertas por necessidade de uma nova renda são maiores entre as mulheres do que entre os homens: 44% contra 32%, o que corrobora que a mulher tem identificado cada vez mais a necessidade e importância de se tornar independente financeiramente.

Assim como nos estudos realizados com mulheres que estão inseridas no mercado de trabalho através de empresas, as mulheres empreendedoras também possuem escolaridade 16% superior à escolaridade dos empreendedores homens. Contudo, aindas ganham 22% menos que eles.

Os dados apontam que 25% das mulheres empreendedoras exercem suas atividades econômicas no próprio domicílio, o que minimiza gastos e possibilita a mulher uma maior flexibilidade para cuidar da casa e dos filhos ou exercer qualquer outra atividade adicional enquanto trabalha.

Por fim, os dados apontam que as empreendedoras necessitam de empréstimos bancários com menos frequência do que os homens empreendedores, pois administram o seu dinheiro de forma mais consciente e sustentável.

O impacto da pandemia no cenário do empreendedorismo feminino

Um estudo realizado pelo instituto Rede Mulher Empreendedora e Locomotiva em junho de 2020 mostrou que 86% dos negócios liderados por mulheres fecharam ou funcionaram apenas em parte durante o isolamento social. De acordo com o estudo, a principal razão para esse número elevado está nas atividades escolhidas pelas mulheres para iniciar seus negócios.

Segundo a presidente do Instituto Rede Mulher, Ana fontes, as mulheres, quando abrem negócios, buscam territórios chamados de áreas de conforto. Estética, moda, beleza, alimentação, seja em casa ou em restaurantes. E esses foram os setores mais afetados pela pandemia. Essas atividades costumam se dar somente de forma presencial, tendo sido necessário uma reinvenção do mercado por parte dos empreendedores.

Levando em conta esse novo cenário, pode-se notar um movimento de reposicionamento das mulheres com relação ao modo de realizarem as suas vendas e oferecerem seus serviços.

Segundo pesquisa realizada no mês de Agosto pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 71% das mulheres usam redes sociais, aplicativos e a internet para vender seus produtos e serviços. Entre os homens que usam tais ferramentas, o percentual cai para 63%.

Nota-se uma vantagem feminina também em serviços de delivery e mudanças feitas nos produtos e serviços das empresas, a fim de atender as necessidades do novo perfil de consumidor. As entregas foram implementadas em 19% dos negócios administrados por mulheres e 14% nos dos homens.

Em relação à inovação, 11% das empreendedoras disseram ter inovado em seus negócios durante a crise, enquanto somente 7% dos homens declararam ter feito alguma mudança nesse sentido.

A principal lição que a pandemia nos deixa é que as crises também podem ser enxergadas como oportunidades. Apesar de sofrerem perdas significativas em seus faturamentos, as mulheres se adaptaram, modernizaram seus negócios e até mesmo expandiram o seu público alvo ao invés de desistirem ou se conformarem diante do cenário de incertezas que a pandemia do Coronavírus nos trouxe.

Conheça 5 mulheres empreendedoras para se inspirar

Empreender não se trata somente de abrir um negócio. Existe estudo, disciplina e principalmente a identificação de uma oportunidade de atuação e lucro, que deve caminhar juntamente com a criatividade, planejamento e foco. Nesse concorrido cenário, as mulheres empreendedoras ganham destaque.

Esse artigo destaca 5 brasileiras empreendedoras de sucesso, que devem ter suas trajetórias levadas em consideração como exemplo e inspiração para todas as mulheres.

1. Luiza Helena Trajano

Luiza Helena Trajano começou a trabalhar no varejo aos doze anos, durante as férias escolares. Nessa época, a Magazine Luiza era apenas uma pequena rede familiar, no interior de São Paulo.

Aos 18 anos, a jovem assumiu os negócios da família. Na década de 1990, Luiza fez com que o negócio se expandisse nacionalmente, com mais de 700 lojas, em 16 estados. Os bens financeiros da empreendedora ultrapassam R$ 1 bilhão, incluindo-a em uma seleta lista de empreendedores de sucesso bilionário.

Além de referência como empresária, Luiza destaca-se pelas políticas de inclusão e incentivo ao empreendedorismo feminino, empoderando outras mulheres (Rock Content, 2019).

2. Alcione Albanesi

A fórmula de sucesso de Alcione Albanesi está sustentada em três pilares: inteligência, trabalho e sorte. Com interesse em moda, o primeiro negócio surgiu quando ela tinha 17 anos e a confecção atuava com 80 funcionários já nessa época.

Buscando novos desafios e ideias de empreendedorismo, ela vendeu a confecção e o novo empreendimento surgiu quando ela viu pela primeira vez as lâmpadas fluorescentes de baixo custo e O produto chinês despertou o interesse da empresária, que, desde então, viajou mais de 70 vezes para a China para novos negócios e viabilizou o crescimento da FLC no mercado nacional, que domina 35% do marketing share de lâmpadas.

Além de empreendedora, Alcione Albanesi também é fundadora da organização Amigos do Bem, uma iniciativa que já impactou a vida de mais de 60 mil pessoas no Nordeste brasileiro por meio do voluntariado e iniciativas de combate à pobrezam 1992 (Rock Content, 2019).

3. Ana Fontes

A empreendedora Ana Fontes é uma inspiração para mulheres que desejam uma mudança profissional. Após 17 anos como executiva, a infelicidade a levou a pedir demissão e começar um negócio próprio.

Os desafios de ser uma mulher empreendedora fizeram com que ela percebesse esse vazio no mercado, o que deu origem à Rede Mulher Empreendedora, rede online focada no empreendedorismo feminino. Assim, além de se empoderar, Ana abriu caminho para que outras mulheres seguissem seu exemplo.

Atualmente, a rede conta com mais de 57 mil mulheres cadastradas que podem contar com diversos serviços, além de iniciativas de capacitação para mulheres em situação de vulnerabilidade (Rock Content, 2019).

4. Márcia Tozo

Márcia Tozo é um exemplo de como o empreendedorismo pode ajudar mulheres a superarem as adversidades. Ao ser mãe aos 16 anos, ela teve que se afastar dos estudos para dedicar-se à maternidade.

Anos mais tarde, ela retomou os estudos e se formou no curso de publicidade. A partir daí, ela usou os conhecimentos da graduação para desenvolver um curso online para ensinar pessoas a fazerem brigadeiros gourmet, principalmente, o público feminino.

O curso foi um sucesso e deu início a outros conteúdos digitais — como o seu próprio blog — que tornaram Márcia uma referência da área e uma empreendedora nacionalmente reconhecida (Rock Content, 2019).

5. Sônia Hess

O exemplo de empreendedorismo de Sônia Hess passa de mãe para filha. A Dudalina teve início quando Seu Duda, o pai, comprou tecido em excesso para a venda, o que representaria um prejuízo se não fosse Dona Lina usar as sobras para fazer novas camisas que começaram a ser vendidas no negócio da família.

Sônia é a única mulher entre 12 irmãos e assumiu os negócios da família iniciados em 1957, fazendo com que a Dudalina se tornasse a maior exportadora de camisas do Brasil (Rock Content, 2019).

 

Nathalia Oliveira

Nathalia Oliveira  

Atua há mais de 09 anos no mercado Segurador e Ressegurador. Administradora, com MBA em Gestão de Seguros e Resseguros e Pós-Graduação à nível de Extensão em Resseguro Avançado pela Funenseg. Broker de Resseguros com foco em desenvolvimento de negócios estratégicos focando na qualidade do atendimento ao cliente final.