Entre os novos empreendedores, mulheres saem à frente no Brasil

Da vizinha que começou com uma empresa pequena de bolos caseiros até a prima distante que abriu sua própria consultoria de marketing, todo mundo conhece a história de uma mulher empreendedora. Não tem jeito, o empreendedorismo feminino é um movimento crescente e (que bom!) as mulheres estão cada vez mais assumindo a liderança de seus negócios e do estilo de vida que querem ter.

Entre os novos empreendedores — aqueles que possuem um negócio com até 3,5 anos de existência — , as mulheres têm uma taxa de empreendedorismo superior à dos homens. O índice delas é de 15,4%, enquanto o deles fica em 12,6%, segundo dados do Sebrae. Mas afinal, o que leva uma mulher a empreender?

Claro que as circunstâncias em que vive cada empreendedora são muito diferentes. Mas, em geral, a busca por autonomia financeira, a possibilidade de flexibilizar os horários ou de coordenar o próprio ritmo de trabalho são algumas delas. Outras mulheres empreendem porque estão insatisfeitas com a carreira atual, porque assistem às mudanças do mercado e veem algumas profissões desaparecendo.

Na prática, quando uma mulher empreende e é responsável pela geração do próprio dinheiro, ela amplia seu poder de escolha. Pode decidir quando e onde trabalhar, a área em que deseja atuar, quando tirar férias, se vai ou não expandir seu negócio. É esse poder de ser dona da própria história que faz brilhar os olhos das 9,3 milhões de empreendedoras no país, que representam 34% de todos os donos de negócios.

Mas ainda há desafios. Embora as empreendedoras tenham um nível de escolaridade 16% superior ao dos homens, elas continuam ganhando 22% menos que os empresários. Os dados foram compilados pelo Sebrae com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Parte do fomento ao empreendedorismo feminino busca diminuir essas diferenças. Treinamentos voltados para o universo dos negócios, certificações profissionais, ampliação de linhas de crédito e outras modalidades de incentivo às empreendedoras são oportunidades de reduzir o gap entre os donos e as donas de negócios.

Poder de escolha: os benefícios de empreender

Tomar a decisão de abrir uma empresa implica correr riscos, mas também traz vantagens, especialmente para quem sonha em viver com maior autonomia e poder de escolha.

Entre os benefícios de empreender, o principal é a sensação de realização pessoal. Ao criar um produto ou serviço que se conecta com valores pessoais, quem empreende sente que traz relevância para o trabalho e para o dia a dia.

Além disso, ganhar poder de escolha para alterar rumos da vida, adaptar novos processos às mudanças de mercado, ter disponibilidade para aderir a novas soluções, fazer ajustes de rotina e se reinventar trazem a sensação de liberdade e de confiança em si mesma. O relatório 2019/2020 da Global Entrepreneurship Monitor, organização que computa dados sobre empreendedorismo ao redor do mundo, revela que as mulheres são mais movidas por propósitos do que os homens.

“Mulheres começando um negócio estão mais propensas a concordar com a motivação de fazer alguma diferença no mundo”, apontou o levantamento.

É necessário, claro, não cair em mitos de que a empreendedora terá “mais tempo para a família”. Em alguns casos, a necessidade de prospectar clientes, entregar demandas e cumprir cronogramas pode fazer com que o tempo fique ainda mais escasso. Por isso, planejar bem cada etapa do negócio ajuda para não se atrapalhar.

Dicas para quem quer começar a empreender

Organize-se: a vida de quem empreende não precisa ser feita apenas de “apagar incêndios”. Isso quer dizer que você terá que se organizar para determinar aonde quer chegar. Quando começar a empreender, provavelmente a ansiedade para conseguir novos clientes e fechar contratos fará com que você tente adiantar muitas tarefas e acabe bagunçando a rotina. Faça um plano a longo prazo, divida em tarefas menores e cumpra cada dia conforme você programou. Claro que você pode ter a flexibilidade de ajustar horários caso imprevistos venham à tona, mas não se desespere. Resolva no seu tempo.

Busque conhecimento (e autoconhecimento também): você terá que investir em um pouco de conhecimento para entender bem o mercado onde quer entrar. Mesmo que tenha talento em uma determinada área, quando se trata de negócios é preciso ter um pouco de estrutura: custo de produção, preço de compra, preço de venda, olhar a concorrência, entender canais de venda, entre outras ações. E isso vale tanto para produtos quanto para serviços. O autoconhecimento, da mesma forma, é importante porque pequenos negócios costumam ter a cara da dona. Então quanto mais você fortalecer seu entendimento sobre pontos fortes, desafios e oportunidades pessoais, melhor será sua relação com a tomada de decisões para o seu negócio.

Faça networking: você não precisa ter uma sócia ou sócio, mas é interessante manter boas relações com fornecedores, clientes, colegas, instituições que atuam na mesma área da sua empresa. Quando possível, participe de eventos online, faça cursos, apresente publicações, troque ideias informais. Lembre-se de que nada precisa ser feito de maneira forçada, buscando conseguir um contato ou cliente. Interesse-se verdadeiramente pelas pessoas para criar conexões de longo prazo.