Fintechs de previdência privada devem crescer com pandemia

?A maior digitalização do sistema financeiro trazida pela pandemia de coronavírus e a adesão ainda baixa a planos de previdência complementar tendem a impulsionar a chegada das chamadas prevtechs –fintechs voltadas para a previdência privada.

Segundo Antonio Rocha, presidente da Onze, gestora de investimentos focada em fundos de previdência privada, além do maior foco no digital impulsionado pela atual conjuntura, as mudanças trazidas pela Reforma da Previdência em 2019 e a maior preocupação de pessoas com a formação de uma reserva de capital também abriram espaço para o surgimento de iniciativas mais focadas no setor.

“Esse é um ciclo relativamente novo, mas que tem um foco importante tanto na gestão do capital como na disseminação da educação financeira e do conceito de previdência privada. Além disso, a pegada é trazer taxas menores e melhores fundos de previdência para o mercado”, afirmou Rocha.

Para o presidente da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), Luís Ricardo Martins, apesar de a reinvenção do setor para um ambiente mais tecnológico exigir grandes doses de planejamento e investimentos, é um movimento já começou e tende a se intensificar ao longo dos próximos anos.

“Já vemos a população querendo se planejar para o futuro, buscando taxas menores, consultores nas estratégias de investimentos de previdência. Esse é o caminho no qual a gente vem trabalhando”, afirmou.

As discussões acerca de taxas mais acessíveis e um leque mais amplo de opções, no entanto, não são de hoje. Mesmo entre as empresas mais tradicionais são raras as que impõem taxas de carregamento (que incidem sobre o investimento em momentos específicos).

Os últimos dados da associação apontam que os ativos dos fundos de pensão ultrapassaram a marca de R$ 1 trilhão em novembro do ano passado, representado cerca de 13,7% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.

As carteiras dos fundos de pensão também tiveram o melhor retorno anual, alcançando a rentabilidade de 4,51% no mês. Além disso, as entidades fechadas de previdência complementar –denominação oficial dos fundos de pensão– tiveram o maior superávit desde 2015, com R$ 26,6 bilhões.

O maior interesse dos brasileiros em poupar e investir também acaba refletindo nos planos para aposentadoria futura e, consequentemente, esquentam o mercado de fintechs voltadas para o segmento.

De acordo com o diretor da ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs), Renan Schaefer, apesar de o conceito de prevtech ser relativamente novo, já existem diversas fintechs que englobam a previdência complementar em suas atuações.

“Temos diversas startups financeiras que abrangem o tema, mas como ainda existe uma complexidade e um desconhecimento considerável pelo assunto, a tendência é que fintechs cada vez mais nichadas apareçam para preencher essas lacunas”.

“Esse movimento acaba sendo positivo. Muitas fintechs nascem e crescem dentro de segmentos específicos exatamente porque conseguem atender uma dor muito pontual do sistema financeiro. E há bastante espaço para concorrência”, completou Schaefer.

O movimento, segundo os executivos do setor, tende a crescer tanto do lado da previdência aberta (planos voltados para qualquer pessoa que esteja interessada) quanto para a previdência fechada (os fundos de pensão, criados exclusivamente para funcionários de uma empresa ou de uma categoria específica).

Dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados) apontam que o segmento de previdência registrou mais de 32 milhões de participantes em janeiro de 2021 –um aumento de 12,2% em relação a igual mês de 2020.

Para Carlos Alberto de Paula, diretor-executivo da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), o segmento de previdência já demonstrou avanços importantes na agenda de inovação tecnológica, mas ainda tem espaço para avançar.

“O Brasil já deu um salto significativo no que diz respeito à previdência e seguro de vida, mas ainda é um mercado em expansão. Passar pela Reforma [da Previdência] foi um passo importante e certamente isso impulsionará o mercado. Tudo é bem-vindo desde que passe pelo crivo dos supervisores e reguladores do mercado”, afirmou de Paula.