Seguros ao gosto do freguês serão uma realidade em breve

O Valor Investe relata que a Superintendência de Seguros Privados (Susep) pretende que o mercado segurador possa oferecer produtos customizados conforme as necessidades dos clientes. Para isso, abre nesta terça uma consulta pública que prevê a flexibilização de prazos e vigências dos contratos. O objetivo é permitir uma cobertura chamada informalmente de “liga-desliga”, ou seja, que possa ser acionada de acordo com a necessidade de cada segurado.

“A Susep propõe uma flexibilização normativa para permitir que o mercado desenvolva novos produtos. A ideia é flexibilizar as normas por prazo de vigência e continuidade de cobertura”, disse ao Valor o diretor da superintendência, Rafael Scherre. A medida já fazia parte da agenda regulatória da Susep e surgiu a partir das observações da área técnica sobre o mercado internacional. A consulta pública terá duração de 30 dias.

Atualmente as regras preveem que um seguro deve ter uma vigência mínima de 24 horas, obrigação que a Susep visa suprimir. Assim, seria possível, por exemplo, contratar um seguro residencial quando os moradores estiverem viajando ou um de automóvel durante os finais de semana.

No agronegócio, poderia haver também um produto para determinadas fases do plantio mais arriscadas que outras. E no setor de modalidade, por exemplo, há espaço para criação de um seguro para proteção dos usuários dos patinetes elétricos no trajeto percorrido.

Para Scherre, o mais importante é que o mercado possa ter flexibilidade para identificar necessidades e ofertar produtos diferenciados. “O objetivo é trazer ideias novas, pensar fora da caixa dentro do mercado de seguros. O papel do regulador não é criar novos produtos, e sim facilitar o processo de inovação”, afirmou.

A nova gestão da Susep tem se voltado para regular as startups de seguros, conhecidas como 'insurtechs', mas as propostas de mudanças devem ter impacto por todo o setor. “Isso pode aumentar a forma como as seguradoras competem. A tendência é que, com os produtos customizados, os preços sejam mais aderentes ao risco e haja uma maior penetração na base de consumidores”, disse.

O regulador também vai publicar novas regras de fiança locatícia. Depois de ter feito um estudo de mercado, verificou que o produto é muito concentrado — atualmente, mais de 80% está nas mãos da Porto Seguro. Além de ter recebido reclamações, A Susep percebeu que há falta de conhecimento do produto tanto do locador quanto do locatário. O tema já foi alvo de consulta pública e as novas regras passam a ver a partir desta terça.

Com as novas regras, não haverá mais plano padronizado, como ocorre até o momento. Agora, as partes poderão escolher a seguradora, sem imposição da imobiliária, e poderão escolher o corretor. A Susep também determinou que as comissões e corretagens sejam disponibilizadas. Com um menor impacto da intermediação, o entendimento do regulador é que as partes tenham mais interesse em contestar os preços.